Fumo Passivo

O fumo passivo (também conhecido fumo ambiental ou fumo involuntário) é uma composição complexa de mais de 4.000 químicas, incluindo pelo menos 69 cancerígenos conhecidos e outras muitas que são prejudiciais à saúde. A Convenção-Quadro para o Controle do Fumo (FCTC) — o tratado internacional para o controle do tabaco — declara que “as evidências científicas mostraram de modo inequívoco que a exposição ao tabaco causa morte, doenças e deficiências.” Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fumo passivo é um cancerígeno humano para o qual não há nenhum nível “seguro” de exposição.1

Autoridades científicas e de saúde pública em todo o mundo acreditam que o fumo passivo é uma grave ameaça à saúde humana e que se deve tomar uma ação eficaz para reduzir a exposição ao fumo. Suas conclusões incluem:

O Fumo Passivo Prejudica as Crianças e os Adultos Não-Fumantes

As evidências científicas sobre os riscos à saúde associados ao fumo passivo são claras, convincentes e predominantes. O Ministério da Saúde dos Estados Unidos, em junho de 2006, publicou um relatório sobre fumo passivo, The Health Consequences of Involuntary Exposure to Tobacco Smoke, que chegou às seguintes conclusões:

Outros estudos e relatórios sobre os danos que o fumo passivo causa aos não-fumantes incluem:

Apenas Leis Anti-Fumo Abrangentes Garantem Proteção Eficaz contra o Fumo Passivo

Um princípio-guia da FCTC pede para que os governos “protejam todas as pessoas da exposição ao fumo”, em vez de apenas grupos específicos, como crianças e mulheres grávidas. A proteção deve ser estendida “a ambientes de trabalho fechados, transporte público, lugares públicos fechados e ... outros lugares.”

As autoridades públicas em todo o mundo acreditam que o único modo eficaz de eliminar a exposição ao fumo passivo é adotar leis anti-fumo específicas que incluam todos os lugares públicos e ambientes de trabalho fechados. As autoridades de saúde que recomendaram essas políticas incluem:


Nos últimos anos, um crescente número de países, províncias, estados ou territórios adotaram abrangentes leis anti-fumo. Alguns deles são: Bermuda, Butão, Inglaterra (em vigor em 1º de julho de 2007), França (em vigor em 2008), Irlanda, Itália, Lituânia, Nova Zelândia, Irlanda do Norte, Noruega, Escócia, Suécia e Uruguai.

Essas abrangentes leis anti-fumo proíbem fumar nas seguintes áreas:

Além das abrangentes leis anti-fumo, a OMS recomenda as seguintes ações para reduzir a exposição ao fumo passivo:

Para reduzir a exposição ao fumo passivo nos casas, onde as crianças são expostas, a OMS recomenda que os governos lancem campanhas educativas dirigidas aos chefes de família enfatizando o impacto negativo do fumo passivo sobre as crianças e outros não-fumantes.7

Leis Anti-Fumo Não Prejudicam os Negócios

A indústria do tabaco tentou criar alianças com a indústria hoteleira e do turismo e criou e fundou “empresas laranjas” representadas por proprietários de restaurante, hotel e bar. Esses grupos passaram a lutar contra a legislação anti-fumo, argumentando que os donos de estabelecimentos de alimentação e de outros negócios sofrerão enormes perdas financeiras com a campanha anti-fumo. No entanto, as pesquisas em todo o mundo concluíram que essas alegações são infundadas:

Outras Táticas da Indústria do Tabaco Contra as Políticas Anti-Fumo

Apesar das grandes evidências científicas, quatro das cinco maiores empresas de tabaco do mundo ainda afirmam publicamente que o fumo passivo não é prejudicial aos não-fumantes. Secretamente, no entanto, as empresas de tabaco admitem que a crescente preocupação mundial e a conscientização com relação ao fumo passivo é uma enorme ameaça para os seus negócios. As empresas de tabaco usaram uma variedade de táticas para combater as políticas anti-fumo. Algumas delas são:

Desafio à Ciência

Promoção de Programas de “Adaptação” e “Direito de Escolha”

Talvez previsivelmente, uma análise de artigos sobre fumo passivo publicada no periódico da American Medical Association constatou que “a única conclusão apresentada de que o fumo passivo não é prejudicial foi de um autor afiliado à indústria do tabaco.”16

Fontes na Internet:

Iniciativa contra o Fumo da Organização Mundial da Saúde:
www.who.int/tobacco/communications/events/wntd/2007/smoke_free/en/index....

Relatório 2006 do Ministério da Saúde dos Estados Unidos: As Conseqüências para a Saúde da Exposição Involuntária ao Fumo Passivo (em inglês):
www.cdc.gov/tobacco/data_statistics/sgr/sgr_2006/index.htm

Relatório 2005 da Agência de Proteção Ambiental da Califórnia sobre fumo passivo
http://repositories.cdlib.org/tc/surveys/CALEPA2005/

Relatório 2003 do Banco Mundial sobre Ambientes de Trabalho Livres de Fumaça
http://web.worldbank.org/WBSITE/EXTERNAL/TOPICS/EXTHEALTHNUTRITIONANDPOP...

Monografia 2002 da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, sobre o Fumo de Tabaco e o Fumo Involuntário
http://monographs.iarc.fr/ENG/Monographs/vol83/volume83.pdf

TobaccoScam, um projeto para restringir a manipulação, por parte da indústria do tabaco, sobre a indústria de hotelaria e turismo (em inglês):
www.tobaccoscam.ucsf.edu

U.S. Programa Nacional de Toxicologia — 10º Relatórios sobre Cancerígenos
http://ehp.niehs.nih.gov/roc/tenth/profiles/s176toba.pdf

Notas Finais

1 WHO, International Consultation on Environmental Tobacco Smoke (ETS) and Child Health. 11-14 January 1999
(WHO/NCD/TFI/99.10).

2 U.S. Department of Health and Human Services. The Health Consequences of Involuntary Exposure to Tobacco Smoke: A Report of the Surgeon General. U.S. Department of Health and Human Services, Centers for Disease Control and Prevention, National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion, Office on Smoking and Health, 2006.

3 California Environmental Protection Agency, Office of Environmental Health Hazard Assessment, Proposed Identification of Environmental Tobacco Smoke as a Toxic Air Contaminant, June 24, 2005.

4 Tobacco Smoke and Involuntary Smoking. World Health Organization, International Agency for Research on Cancer, Monograph Series, Volume 83.

5 U.S. Department of Health and Human Services. The Health Consequences of Involuntary Exposure to Tobacco Smoke: A Report of the Surgeon General. U.S. Department of Health and Human Services, Centers for Disease Control and Prevention, National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion, Office on Smoking and Health, 2006.

6 Scientific Committee on Tobacco and Health (SCOTH), Secondhand Smoke: Review of evidence since 1998, Update of evidence on health effects of secondhand smoke, November 2004, UK Department of Health.

7 WHO, International Consultation on Environmental Tobacco Smoke (ETS) and Child Health, 11-14 January 1999 (WHO/NCD/TFI/99.10).
[NOTE DATE OF PUBLICATION]

8 U.S. Department of Health and Human Services. The Health Consequences of Involuntary Exposure to Tobacco Smoke: A Report of the Surgeon General. Atlanta, GA: U.S. Department of Health and Human Services, Centers for Disease Control and Prevention, Coordinating Center for Health Promotion, National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion, Office on Smoking and Health, 2006. http://www.surgeongeneral.gov/library/secondhandsmoke/report/.

9 Scollo M, et al, “Review of the quality of studies on the economic effects of smoke-free policies on the hospitality industry”, Tobacco Control (2003); 12:13-20.

10 Note on special meeting of the UK [Tobacco] Industry on Environmental Tobacco Smoke, London, February 17th, 1988. Bates #701247331-336; http://www.pmdocs.com/PDF/2060563936_3941.PDF

11 Sarah Boseley. “$2m Plot to Discredit Smoking Study Exposed,” The Guardian, (April 7, 2000); Elisa Ong and Stanton Glantz. “Tobacco Industry Efforts Subverting International Agency for Research on Cancer’s Second-Hand
Smoke Study.” The Lancet, Vol. 355, (April 8, 2000). http://www.thelancet.com/newlancet/sub/issues/vol355no9211/publichealth1...

12 Morton Mintz. “The Building Doctor.” Washington Post Magazine. (March 24, 1996); Minutes of meeting of the Executive Committee. The Tobacco Institute, Inc. (December 10, 1987)
http://www.tobaccoinstitute.com/getallimg.asp?DOCID=TIMN0014390/4393

13 American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers, Inc. ASHRAE 62-1999: Ventilation for Acceptable Indoor Air Quality. See Addendum 62e. http://www.ashrae.org

14 J. Drope, S. A. Bialous, S. A. Glantz. “Tobacco industry efforts to present ventilation as an alternative to smokefree environments in North America.” Tobacco Control, Vol. 13, Suppl. 1 (March 2004), p. 41 – 47.

15 J. Dearlove, S. Bialous, and S. Glantz. “Tobacco industry manipulation of the hospitality industry to maintain smoking in public places.” Tobacco Control, Vol. 11, No. 2 (June 2002), p. 94-105.

16 D.F. Barnes, et al., “Why review articles on the health effects of passive smoking reach different conclusions,” Journal of the American Medical Association, Vol. 279 No. 19, (20 May 1998).